Conhecido como “O libertador de escravos”, Luiz Gama trabalhou em prol da alforria de negros escravizados, tendo soltado mais de 500 pessoas. Filho de Luisa Mahin, uma escrava liberta, ele nasceu livre em 1830 e foi vendido pelo pai, um comerciante português, aos dez anos.  Aos depois, frequentou, como ouvinte, a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP). Por ser negro, não tinha o título oficial de advogado. 

Para falar sobre Luiz Gama na construção do Estado democrático de Direito, o presidente da Comissão da Verdade da Escravidão Negra no Brasil, Humberto Adami, foi convidado pela Comissão de Defesa do Estado democrático de Direito da OABRJ para um evento que aconteceu nesta quarta-feira, dia 27.

"Me parece que o principal eixo do Estado democrático de Direito defendido por Luiz Gama é acreditar na legislação, na constituição e no poder da advocacia. Luiz Gama está vivo emm suas obras e palavras, 140 anos depois da sua morte, não é a toa. O que mais me comove é a postura drástica dele de fazer a advocacia. Na época de Luiz Gama, a perseguição principal era aos negros. Ainda hoje é, é claro, mas se ele vivesse nos dias de hoje certamente seria conhecido como o advogado dos mendigos, um advogado que luta pelo alcance das garantias do Estado democrático de Direito na vida das pessoas em situação de rua", disse.

Completaram a mesa o presidente da Comissão de Defesa do Estado democrático de Direito da OABRJ, Luis Guilherme Vieira, a advogada Camila Bon e a presidente da Comissão da Verdade da Escravidão Negra da Seccional de São Paulo, Diva Zito. O evento está disponível, na íntegra, no Canal da OABRJ no Youtube.