Bancas estrangeiras abrem filiais no país

 

 

Do Valor Econômico

 

06/09/2007 - Em cerca de dois meses um dos maiores escritórios de advocacia do mundo deve aportar no Brasil. O gigante inglês Mayer Brown anunciou ontem sua expansão para a América Latina com a instalação de uma filial em São Paulo para atuar na consultoria em direito americano e inglês. A banca, com 1.500 advogados em 14 cidades do mundo, será a segunda estrangeira a chegar no país apenas neste ano. Fontes do mercado jurídico garantem que outras duas estão em vias de fazer o mesmo.

 

O Mayer, Brown, Rowe & Maw - que desde 1º de setembro passou a utilizar apenas os dois primeiros nomes em sua marca global - ainda está estruturando sua operação no país. Segundo o advogado Stephen Hood, sócio que comandará a filial brasileira, a banca está em busca de um endereço, prospectando advogados que falam português e que atuaram em projetos na América Latina dentro do próprio Mayer Brown e já contratou um escritório de advocacia brasileiro para fazer seu registro como sociedade de consultoria em direito estrangeiro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Hood, que reside no Brasil desde 1999, quando fundou a filial do também estrangeiro Clifford Chance na capital paulista, afirma que a estratégia do Mayer Brown no Brasil é ter uma estrutura de cerca de 12 advogados atuando no direito estrangeiro daqui a um ano e meio. "O escritório tem um histórico de atuar para empresas no Brasil e o foco serão os negócios de grande porte, especialmente na área de infra-estrutura" afirma. No Brasil a banca já atuou para empresas como ABN Amro, HSBC, Grupo Abril e Bandeirantes, entre outras.

 

A chegada do Mayer Brown coincide com o boom dos IPOs e o aquecimento do mercado de fusões e aquisições no Brasil - duas áreas que demandam um volume considerável de serviços jurídicos. Embora esteja aproveitando o bom momento, o inglês Proskauer Rose, que em 13 de julho deste ano obteve seu registro como sociedade de consultoria em direito estrangeiro na OAB, instalou-se em São Paulo com planos de longo prazo. O advogado Fábio Yamada, "senior attorney" da banca, conta que o Proskauer está consolidado como um dos maiores escritórios de Nova York, com cerca de 700 advogados, e que percebeu que a melhor estratégia agora seria crescer para fora do mercado doméstico americano. "A decisão de vir ao Brasil foi tomada em meados do ano passado após estudos sobre o potencial de clientes, visibilidade de mercado e custos da operação", afirma. O Proskauer está operando no país com cinco advogados atuando no direito americano. A banca hoje tem filiais apenas em Paris e São Paulo e acaba de anunciar sua chegada a Londres. Segundo Yamada, o foco no Brasil é o mercado de capitais, atuando em conjunto com bancas brasileiras em IPOs - desde julho, quando iniciou suas atividades no país, concluiu dois e outros dois estão em andamento.

 

No meio jurídico comenta-se ainda que outros dois escritórios estrangeiros - o inglês Allen & Overy, com 2.500 advogados em 24 cidades do mundo, e o americano Skadden, Arps, Slate, Meagher, com 22 filiais e cerca de 1.700 advogados - estariam chegando ao Brasil. O advogado Bruno Soares, "senior council" do Allen & Overy que divide seu tempo entre Nova York e Brasil, não confirma a vinda da banca, mas diz que ela está analisando o mercado e as regras para a atuação de estrangeiros no país. "Nunca olhamos o Brasil de forma tão interessada quanto estamos olhando agora", afirma. O advogado Paul Schnell, sócio do Skadden, Arps em Nova York e um dos coordenadores da área de negócios da América Latina, diz apenas que a banca atua há 20 anos em negócios envolvendo o Brasil e que não pode comentar a possibilidade de abertura de uma filial no país.