OAB/RJ: PM tem que assumir que matou trabalhador na Vila Cruzeiro

 

 

17/09/2007 - A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio de Janeiro, Margarida Pressburger, disse hoje (17) que repudia a declaração do comandante do 16º Batalhão da Polícia Militar, coronel Marcus Jardim, de que os policiais sob seu comando não invadem as casas dos moradores de Vila Cruzeiro durante as operações policiais. "A OAB tem conhecimento, pelos próprios moradores, de que a polícia é useira e vezeira em invadir residências à revelia de seus donos".

 

Na sexta-feira, o barbeiro Martins da Silva Gomes morreu baleado ao chegar em casa, segundo a viúva Cristiane Santana Mendes, invadida por cinco policiais durante um confronto com bandidos. De acordo com a denúncia, publicada nos jornais, os policiais ainda roubaram R$ 300 e um cordão de ouro, além de sumir com os documentos da vítima. Martins trabalhava há seis anos na Barbearia Estrela Azul.

 

"A polícia tem que assumir que errou, que matou um trabalhador. Não pode criminalizar a vítima, como costuma fazer", disse Margarida Pressburger, acrescentando que os moradores se queixam, no posto avançado instalado pela OAB na Vila Cruzeiro, que são obrigados a deixar os policiais entrarem durante os confrontos com traficantes. "A PM usa as casas não só para se abrigar como também para atirar das lajes", acrescentou. A OAB se pôs à disposição da viúva do barbeiro.