Conselho Federal recusa apoio ao 'Cansei'

function Multimidia(pagina) { maisinfopopup10 = window.open(pagina,'maisinfopopup10', 'resizable=no,history=no,menubar=no,directories=no,scrollbars=no,width=235,height=230,top=200,left=300'); maisinfopopup10.focus(); } function Detalhe(pagina) { maisinfopopup = window.open(pagina,'maisinfopopup', 'resizable=yes,history=no,menubar=yes,directories=no,scrollbars=yes,width=650,height=350,top=50,left=50'); maisinfopopup.focus(); } Da Folha de S. Paulo

07/08/2007 – A OAB nacional (Ordem dos Advogados do Brasil) não vai apoiar o "Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros", o "Cansei", liderado oficialmente pelo presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso.

Desta forma, o atual presidente nacional da entidade, Cezar Britto, não participará do ato promovido pelo "Cansei" no dia 17, quando se completa um mês do acidente com o avião da TAM.

Britto justificou a decisão: "Entendemos que o movimento é legítimo e cada Estado deve decidir se o apóia ou não, mas ainda é restrito a São Paulo".

A medida foi tomada ontem durante reunião da entidade, em Brasília. O placar registrou 19 votos contra a adesão ao "Cansei" e 7 a favor. Cada voto representa um Estado. Cada Estado decide seu voto com base na decisão de três advogados.

O voto de São Paulo, que lidera o grupo, também foi contrário à adesão da OAB nacional.

Segundo Raimundo Hermes Barbosa, conselheiro paulista da OAB Nacional, "o "Cansei" é um movimento de São Paulo com repercussão nacional. Teve a manifestação do presidente da OAB do Rio, que criticou o apoio da Ordem ao "Cansei". Achamos por bem não manifestar apoio neste momento, o que não significa que não possamos fazê-lo no futuro".

Reservadamente, outro conselheiro paulista afirmou que a posição da OAB-RJ pesou na decisão do grupo. A Ordem, segundo ele, preferiu "lavar as mãos" para essa discussão.

D'Urso sempre justificou o fato de a OAB-SP encampar o movimento, nascido dentro do escritório do empresário João Dória Jr, ligado aos tucanos há anos, como algo natural diante da história da entidade. Quando a organização foi lançada, disse que a OAB sempre apóia o que é "a favor do Brasil".

O presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, declarou na semana passada ver um "fundo golpista" no "Cansei", contra o presidente Lula. D'Urso classificou a afirmação do advogado como uma "grosseria".

Ontem, os dois advogados não polemizaram. D'Urso disse que a decisão foi boa para o "Cansei". Segundo ele, a posição da OAB nacional abre espaço para que cada Estado decida por si se apóia ou não a organização: "A decisão não fez juízo de valor sobre o movimento, considerando-o legítimo e ressaltando que toda a sociedade deve se expressar".

Damous ressaltou que em "momento algum" teve a intenção de isolar politicamente a OAB de São Paulo. "Apenas manifestei minha opinião", disse.

Nas últimas semanas, o "Cansei" foi chamado de "oposição mascarada" pelo PT e foi defendido por seus líderes como "apartidário e propositivo".

Repercussão

Claudio Lamachia, presidente da OAB do Rio Grande Sul, disse ser positivo o fato de cada Estado ter autonomia. Ele mesmo lançou um movimento chamado "Agora Chega!", contra a corrupção e a impunidade e que conta com a adesão de sindicatos e empresários gaúchos.

Ele evitou criticar o "Cansei", mas afirmou que a OAB nacional deve apoiar grupos compostos por "diversos setores da sociedade" e dispostos a oferecer "respostas práticas" aos problemas do país.

Ronaldo Garcia, secretário geral da OAB-MG, disse que "a princípio, apoiaríamos o "Cansei", mas o movimento não decolou, ficou muito no discurso. É melhor mesmo que a OAB nacional não participe".