Com um debate que teve como convidados os jornalistas Cid Benjamin e Mário Magalhães e mediação do gerente de Comunicação da OAB/RJ, Marcelo Moutinho, foi iniciada nesta segunda-feira, dia 5, a série de eventos que a Comissão de Direitos Sociais e Interlocução Sociopopular da Seccional promoverá, com o apoio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), até setembro sobre Imprensa, democracia e história,

Neste primeiro encontro, Cid, que é vice-presidente da ABI, e Magalhães, ambos com trabalhos premiados e livros publicados tratando de episódios da história brasileira, versaram sobre o tema “Brasil no espelho, avanços e retrocessos”. Estimulados por Moutinho, os jornalistas compararam as fases abordadas em suas obras com o presente – no caso de Cid, autor de “Gracias a la vida – Memórias de um militante” (José Olympio), os anos em que o Brasil viveu sob o regime da ditadura civil-militar; e, no de Magalhães, que lançou recentemente “Sobre lutas e lágrimas – Uma biografia de 2018” (Record), o processo eleitoral do último ano e suas consequências nos dias de hoje.

Cid, que fez parte da resistência armada contra a ditadura civil-militar, afirmou que, considerando apenas o cenário de retiradas de direitos sociais, acredita que o atual governo está sendo mais impactante para os trabalhadores do que os daquela época. Ele também analisou os últimos anos pontuando questões como a regulação da mídia: “A influência dos meios de comunicação no cenário político nos leva a uma reflexão de porquê, em um país como o Brasil, não se mexe em oligopólios de mídia. Em todo o mundo, a distribuição de concessões de rádio e televisão é mediada pelo Poder Público: ele entra, define critérios e distribui de forma mais ou menos equitativa ou democrática”.

Magalhães também analisou o papel da imprensa na atual conjuntura política e social, em especial na cobertura das eleições de 2018: “Um dos maiores erros da história do jornalismo brasileiro foi tentar equiparar Bolsonaro e Haddad como representantes de extremos. Bolsonaro de fato é um extremista. O Haddad pode ser tudo, mas não é um extremista. Ao fazer isso, a imprensa brasileira deixou de informar quem era o Bolsonaro”.

O evento foi transmitido pelo canal da OAB/RJ no YouTube e pode ser visto na íntegra aqui. Na ocasião, também foram lançadas as duas obras de Cid Benjamin, “Gracias a la vida” e “Reflexões rebeldes” (José Olympio); e “Sobre lutas e lágrimas”, de Mário Magalhães.