Empresas pagaram R$ 1 bi de impostos por dia

 

 

Do Jornal O Globo

 

13/09/2007 - Empresas brasileiras recolheram aos cofres públicos R$ 953,5 milhões por dia no primeiro semestre de 2007, aponta o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) relativo ao período, divulgado ontem. Segundo os dados do IBGE, os tributos incidentes apenas sobre a produção somaram R$ 172,582 bilhões nos 181 dias entre o início de janeiro e o fim de junho, uma alta de 7,8%, contribuindo para um PIB de R$ 1,226 trilhão.

 

O peso dos impostos continua muito expressivo na composição do PIB. Se sua contribuição fosse excluída, o ritmo de crescimento da atividade econômica encolheria, por exemplo, 0,5 ponto percentual (quase 10%), passando de 5,4% para 4,9%, no segundo trimestre - o 18º seguido de variação positiva da tributação, feito que supera o do consumo das famílias e o do investimento.

 

Se o recorte for apenas para o segundo trimestre, objeto da divulgação de ontem, a expansão das receitas - especialmente dos governos federal e estaduais - subiu 8,6% sobre abril a junho de 2006, uma aceleração em relação aos 6,9% do primeiro trimestre (na mesma base de comparação).

 

De acordo com Rebeca Palis, gerente de Contas Trimestrais do IBGE, como para a formação do PIB o que importa é a tributação sobre a produção de bens e serviços, os dois principais impostos que compõem este segmento são o IPI federal e o ICMS estadual.

 

Como incidem sobre produtos industrializados de qualquer natureza e a circulação dos mesmos, respectivamente, o resultado é coerente com o destaque que a indústria e o comércio tiveram no ano. "Porém, mesmo sem pesar imensamente na estrutura, o Imposto de Importação também subiu muito e ajudou no resultado", afirmou Rebeca, em referência ao aumento sistemático das compras no exterior.

 

Indústria cobra reforma tributária e desburocratização Os resultados reforçam os resultados mensais da Receita Federal, que registra recordes de arrecadação, que geram aumento da carga tributária. Por isso, o número trazido pelo PIB preocupa os empresários. "Para assegurar condições de crescimento semelhantes às de China, Índia e Rússia, o dever de casa ainda precisa ser feito e inevitavelmente nos conduz à cartilha da reforma tributária e da maior desburocratização", afirmou Boris Tabacof, diretor do Departamento de Economia do Ciesp, ao qual fez coro Armando Monteiro Neto, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

 

Para o professor do Instituto de Economia da Unicamp Fernando Sarti, a elevada expansão da arrecadação de impostos é uma boa oportunidade para a reforma tributária. Como tanto o PIB quanto a arrecadação crescem, os interesses contrários à redução das alíquotas tendem a se acomodar, abrindo caminho para mudar o regime tributário, salienta o economista: "É possível manter arrecadação elevada com alíquotas menores, se a economia mantiver o crescimento".