23/02/2017 - 10:55 | última atualização em 23/02/2017 - 11:16

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Jovem confessa participação na morte de família em São Gonçalo

jornal Extra

O delegado Fábio Barucke, titular da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, informou que Matheus Resende Khalil, de 23 anos, confessou a participação no assassinato de sua tia, Soraya Gonçalves, do marido dela e da filha do casal em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.
 
O suspeito disse que seu irmão gêmeo, Lucas Resende Khalil, que teve a prisão decretada pela Justiça nesta quarta-feira, não estava no local das mortes. Lucas, que ainda assim é suspeito de envolvimento no crime, se entregou na delegacia de Saquarema, na Região dos Lagos, nesta quinta-feira.

Segundo o delegado, Matheus confirmou ainda a participação da mãe, Simone Gonçalves de Resende, irmã de Soraya. O rapaz contou que ela contratou duas pessoas para executar as vítimas. O jovem foi quem levou essas pessoas até a casa das vítimas, na última sexta-feira. Fábio Barucke informou ainda que pediu à Justiça a prisão de Matheus e Simone.
 
A polícia acredita que os assassinatos foram motivados por uma briga pela herança do pai de Simone e Soraya. Além disso, os investigadores creem que um ritual de magia negra pode ter acontecido no local das mortes. O delegado Barucke levantou a hipótese porque foram encontrados dentes perto dos corpos e, segundo ele, Simone é envolvida com magia negra.

"Esses dentes foram deixados no local pelos assassinos contratados por Simone", afirmou Barucke.

Segundo ele, duas armas foram usadas no crime: uma para matar Soraya Gonçalves de Resende e outra, para matar o marido dela, Wagner Salgado, que era diretor de eventos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Gonçalo. Já a filha do casal, Geovanna, de 10 anos, foi alvejada por disparos de ambas as armas.

Uma testemunha ouvida por Barucke contou que, no momento em que Simone recebeu a notícia das mortes, ela riu.
 
"Ela deu uma gargalhada e soltou a frase: "Nossos problemas estão resolvidos", contou o delegado.
 
Soraya - que era irmã adotiva de Simone -, Wagner e Geovanna foram assassinados dentro de casa, um apartamento no Barro Vermelho, em São Gonçalo, na madrugada da última sexta-feira.

O presidente da OAB/RJ, Felipe Santa Cruz, elogiou na manhã de hoje o empenho da polícia em elucidar o caso. "A prisão dos culpados diminui um pouco a dor dos familiares e amigos. No sábado, o enterro dessa linda família mostrou toda dor da advocacia de São Gonçalo e do Estado. Parabéns ao delegado Fábio Barucke que comandou uma investigação impecável. A OABRJ, através de sua nova comissão de combate à violência contra o advogado, atuou e continuará atuando neste caso, inclusive em seu julgamento como assistente da acusação. Crime contra advogado não ficará impune no Rio de Janeiro", comentou.
 
Arma oferecida no Facebook
 
Segundo as informações que a polícia tem até o momento, Lucas enviou fotos oferecendo um revolver calibre 32 com silenciador para um amigo, pelo Facebook, na semana anterior ao crime. Uma arma do mesmo calibre, também com o acessório, foi usada para assassinar a família. A polícia acredita que o rapaz queria garantir que conseguiria se desfazer da arma após ela ser usada nos assassinatos.

Na imagem enviada para o colega, Lucas está usando a mesma pulseira com a qual ele aparece numa foto postada pela sua namorada no Facebook.
 
Briga judicial
 
A briga judicial envolvendo o inventário do pai de Soraya já se arrasta há 20 anos. O processo que tramita na 6ª Vara Cível de São Gonçalo. Wagner atuava como advogado no caso.
 
Em meio à disputa, em 2014, Soraya, que é adotada, chegou a pedir na Justiça que houvesse prestação de contas no inventário do pai. A solicitação ainda foi julgada.
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