Juízes e artistas assinam manifesto contra mortes cometidas por policiais

 

 

Do Jornal O Globo

 

07/11/2007 - Com 105 assinaturas, incluindo de desembargadores e juízes, entidades e representantes de várias áreas lançaram ontem um manifesto contra o que eles classificam de "política de extermínio" praticada pelas polícias do estado. O documento será entregue hoje ao relator sobre execuções arbitrárias, sumárias ou extrajudiciais da ONU, Philip Alston, que visita o Rio para analisar denúncias de crimes cometidos pelas polícias.

 

No texto do manifesto há críticas às recentes declarações do governador Sérgio Cabral, que relacionaram aborto com criminalidade, e às declarações do secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, que afirmou serem diferentes operações no Complexo do Alemão e em Copacabana.

 

Entre as assinaturas, estão as da OAB, da ABI, do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública e da Associação de Juízes para a Democracia (AJD). Quatro desembargadores e cinco juízes assinaram o documento, além do ex-governador do estado, Nilo Batista, políticos, artistas, advogados, etc.

 

O movimento é liderado pelo músico Marcelo Yuka. Classificando a atuação e as declarações de integrantes do governo como fascistas, ele afirmou que o manifesto quer mostrar que uma parcela da sociedade não concorda com esta política.

 

João Luiz Damasceno, juiz cível de Nova Iguaçu e um dos signatários do texto, afirmou na reunião de lançamento que a preocupação é que o estado inicie um processo de práticas arbitrárias em nome da liberdade: "O que está havendo é uma política de eliminação dos indesejáveis. A polícia que desejamos é a que prende um jovem branco traficante de ecstasy na Barra da Tijuca após persegui-lo na praia, sem dar tiros. Se ele fosse morador de uma favela ou de uma cidade da Baixada Fluminense, ele seria hoje um ex-menino", disse o juiz que representa a AJD.

 

O relator da ONU começará sua visita ao Rio participando de um encontro com ONGs e movimentos sociais, às 9h, na PUC. À tarde, ouvirá relatos de parentes de vítimas na sede da Candido Mendes, no Centro. Um grupo de ONGs vai entregar ao relator um relatório sobre a violência policial no Rio.