O aumento dos casos de violência contra mulheres no Brasil acende um alerta neste Dia Internacional da Mulher: milhões de brasileiras seguem expostas a diferentes formas de agressão, praticadas, na maioria dos casos, por pessoas próximas. Neste ano, especialmente diante de estatísticas aterrorizantes - apenas em 2025, mais de 1500 mulheres foram vítimas de feminicídio -, a OABRJ entende que a data deve marcar um momento de reflexão geral sobre o problema e as formas de combatê-lo. A ampliação dos canais de acolhimento e denúncia e o incentivo para que mulheres vítimas de violência procurem ajuda são pontos fundamentais. “Esse é um problema gravíssimo e que precisa da atenção de toda a sociedade. Chega de violância contra a mulher. Se você foi vítima, não deixe de procurar a nossa Ouvidoria da Mulher que nós vamos te dar todo o apoio e auxílio. Denuncie. É muito importante que a gente possa levar aos órgãos públicose tomar as providências cabíveis.”, reforça a presidente da Seccional, Ana Tereza Basilio. Além do Disque 180, serviço nacional de denúncia e orientação, a Ouvidoria da Mulher da Seccional funciona como um canal de escuta, acolhimento e encaminhamento para mulheres que enfrentam situações de violência ou precisam de orientação jurídica. Para entrar em contato com o grupo, basta clicar aqui , encaminhar um email para [email protected]. A iniciativa integra as ações da entidade para ampliar o acesso à informação, incentivar denúncias e reforçar a rede de proteção às mulheres. Por trás das estatísticas, existem histórias de vida interrompidas pela violência: Para marcar a data, a OABRJ divulgou um vídeo destacando casos veiculados na mídia nos últimos meses e estatísticas publicadas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Levantamento do fórum em parceria com o Datafolha aponta que mais de 23 milhões de mulheres com 16 anos ou mais já sofreram algum tipo de violência no país. Alana, 20 anos. Esfaqueada após negar um pedido de namoro. O mesmo estudo indica que, em cerca de 67% dos casos, o agressor é parceiro ou ex-parceiro da vítima, evidenciando a dimensão da violência doméstica e familiar. Tainara, 31 anos. Atropelada e arrastada pelo ex-namorado. A cada 24 horas em 2025, aproximadamente 12 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência, segundo dados do estudo Elas vivem: a urgência da vida, da Rede Observatórios da Segurança, que monitorou nove estados brasileiros ao longo do ano. Pelo levantamento, os números representam um aumento de 9% em comparação com 2024. Marineusa, 47 anos. Morta pelo ex-marido dentro de casa, na frente dos filhos. Outro dado preocupante aparece na pesquisa Retrato dos feminicídios no Brasil, também do Fórum Brasileiro de Segurança Pública: em mais de 13% dos casos de feminicídio, as vítimas já possuíam medida protetiva contra o agressor. Mesmo com instrumentos legais de proteção, muitas mulheres continuam em situação de risco. Amanda, 25 anos. Tinha medida protetiva, mas foi perseguida e morta a tiros a caminho do trabalho. “Chega de violência contra a mulher. Neste 8 de março, a OABRJ reafirma seu compromisso com a defesa da vida, da dignidade e dos direitos das mulheres”, assinala Ana Tereza Basilio. Participaram da gravação do vídeo, além da presidente da OABRJ, a vice-presidente da Seccional, Sylvia Drumond; a presidente e a vice da Caarj, Paula Vergueiro e Mônica Alexandre, respectivamente; a diretora da Mulher Advogada, Flávia Ribeiro; e as presidentes das comissões OAB Mulher RJ, Luciene Mourão; de Combate à Violência Contra a Mulher, Marilha Boldt; e de Acompanhamento de Políticas Públicas de Proteção e Promoção dos Direitos das Mulheres, Danielle Marçal.