Movida pelo mais profundo pesar, a OABRJ decretou luto de três dias pela morte do criminalista Renato de Moraes, ocorrida nesta segunda-feira, dia 18, no Rio. 

"É uma perda inestimável para advocacia brasileira e fluminense. Renato era um jovem e brilhante advogado, sua partida deixa em todos nós uma imensa dor no peito", afirma o presidente da Seccional, Luciano Bandeira.

O Conselho Federal se une à Seccional no sentimento de consternação. "Com dor e profunda tristeza, recebemos a notícia do falecimento desse amigo querido, incrivelmente gentil, que era também um advogado brilhante e um brasileiro indignado, defensor do direito de defesa e da democracia", lamenta o presidente da Ordem, Felipe Santa Cruz. 

Formado pela Uerj, Renato era filho e aluno de Antonio Evaristo de Moraes Filho, baluarte do Direito Penal que morreu em 1997, aos 63 anos, no auge de uma carreira marcada pela defesa do ex-presidente Fernando Collor no processo de impeachment e de perseguidos políticos na ditadura militar. Ele atuava ao lado do irmão Eduardo de Moraes no Escritório Evaristo de Moraes, fundado em 1894 pelo avô, no Centro do Rio. 

O advogado também dedicou seu tempo à classe: foi diretor de Acompanhamento Legislativo do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) na gestão de Técio Lins e Silva. 

Para o presidente da Comissão de Estudos de Direito Penal da OABRJ e da Sociedade dos Advogados Criminais do Estado do Rio de Janeiro (Sacerj), Alexandre Dumans, “a advocacia criminal perdeu um de seus príncipes”,  que fazia jus ao peso do sobrenome de uma das mais importantes dinastias do Direito nacional.

“Renato representava muito bem uma geração combativa e ética de novos advogados, que seguia os passos de seu pai, Antônio Evaristo de Morais Filho. Era culto, inteligente, colega de seus colegas, alguém que agregava as pessoas, um homem maravilhoso. Foi-se tão jovem. É uma perda inestimável”.

De acordo com a nota emitida pela Sacerj, assinada por referências da área, Renato se destacava na advocacia criminal de sua geração emitindo luz própria. Era um profissional completo: orador eloquente e carismático, dotado de refinada cultura jurídico-penal. 

“Defendia com elegância e marcante vigor as prerrogativas atinentes à advocacia criminal, descortinando-as como direitos fundamentais de todos os seres humanos e garantia individual inafastável daqueles que, por algum infortúnio da vida, se enredassem nas viscosas teias do processo penal”.

Emocionado, Técio Lins e Silva destaca a doçura do amigo com quem mantinha contato diário: “Era amoroso, sensível, de uma fidelidade aos amigos encantadora. Dedicava-se às amizades como nunca vi ninguém se dedicar. Era devoto do afeto”.

“O fato de ele ter tido talento como advogado é o menos importante diante do ser humano encantador e único que era. Ele me visitava sempre e nosso contato por telefone era diário. Conversávamos muito, sobre tudo. Era culto, lido, um sábio aos 40 e poucos anos. Era capaz de delicadezas como deixar sem avisar na minha portaria bolinhas de queijo de um botequim famoso do Leblon. Perco um grande amigo”.

Presidente da Comissão de Defesa do Estado Democrático de Direito da OABRJ, Luis Guilherme Vieira diz sentir a dor da perda de um irmão mais novo. O pai de Renato, Evaristo, seria seu padrinho de casamento, mas partiu antes. Renato e os dois irmãos (Eva e Eduardo) assumiram o posto.

“Se Evaristo de Moraes já nos deixou tão cedo, imagina o Renatinho, que ainda tinha muito a fazer por aqui, no meio da gente e com a gente. Poucas vezes vi um advogado com tamanha sensibilidade pela dor do seu semelhante. A sensibilidade era de tal monta que seus clientes se tornavam seus amigos fraternais”.

Tímido como o pai, Renato sabia cultivar seus amigos, e tinha o dom de cultivar a memória, a história e a luta dos mais velhos.  

“Foi um dos mais talentosos criminalistas da sua geração. O talho da sua escrita era refinado. Na tribuna crescia, agigantava-se.  Um talento que vi nascer e acompanhei até hoje. Minhas lágrimas estão secas, a ficha ainda não caiu”, acrescenta Vieira.

Renato era separado e deixa uma filha.