A Diretoria de Mulheres da OABRJ e a Comissão OAB Mulher RJ, por meio do Grupo de Trabalho das Mulheres Negras, manifestaram repúdio às ofensas racistas proferidas por alunos do Colégio Franco-Brasileiro, instituição particular na Zona Sul do Rio, contra a aluna Ndjaye, de 15 anos. Os xingamentos foram feitos no domingo, dia 17, em mensagens trocadas num grupo de aplicativo de conversas pelo celular. 

“A articulação do movimento racista tem sido colocada da forma mais natural nos espaços aos quais circulamos, assim como expondo de maneira humilhante os sujeitos - pessoas negras - que o sofrem, sobretudo nas escolas”, afirmam as advogadas no texto. 

“Tais declarações dos colegas de classe da estudante são violentas e desonrosas, por este motivo, requeremos das autoridades competentes uma solução adequada para esta situação a fim de tentar reparar os danos causados a esta jovem”.

Leia a nota completa:

Nota de repúdio

A Diretoria de Mulheres da OABRJ e a Comissão OAB Mulher RJ, por meio do Grupo de Trabalho das Mulheres Negras, vem através desta nota repudiar a atitude racista dos alunos da Escola Franco-Brasileiro. A aluna Ndjaye de 15 anos, filha de senegaleses, foi surpreendida no último domingo ao saber por um amigo que seus colegas de colégio, uma escola particular do Rio de Janeiro, trocavam mensagens racistas sobre ela por meio de um aplicativo de conversa. As mensagens diziam “dou dois índios por um africano”, “negro vale uma jujuba”, “negro vale um pedaço de papelão “, “ela não eh gente”, entre outras frases.

Repudiamos todo o discurso racista, de ódio e à apologia à escravidão. O racismo estrutural e estruturante está enraizado em nossa sociedade e muitas das vezes é camuflado, porém nesse caso foi manifestado de forma direta, escancarada e recreativa. A articulação do movimento racista tem sido colocada da forma mais natural nos espaços aos quais circulamos, assim como expondo de maneira humilhante os sujeitos - pessoas negras - que o sofrem, sobretudo nas escolas. Tais declarações dos colegas de classe da estudante são violentas e desonrosas, por este motivo, requeremos das autoridades competentes uma solução adequada para esta situação a fim de tentar reparar os danos causados a esta jovem.

Precisamos pensar que não é parando de falar sobre o racismo que conseguiremos eliminar essa pauta da sociedade em que vivemos. Precisamos falar e apresentar medidas antirracistas a fim de erradicar essa mancha social tão cara para todas e todos nós. Manifestamos, assim, nosso apoio e solidariedade a jovem Ndjaye, na certeza de que os encaminhamentos aos órgãos competentes darão prosseguimento apresentando medidas próprias para a solução do caso.

Marisa Gaudio
Diretora de Mulheres da OABRJ

Rebeca Servaes
Presidente da Comissão OAB Mulher RJ

Flávia Monteiro
Coordenadora do GT Mulheres Negras