OAB/RJ: secretário de Segurança assume tratamento diferente para favelas

 

 

23/10/2007 - A presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, Margarida Pressburger, disse hoje que, ao reconhecer que "um tiro em Copacabana é uma coisa, e um tiro na favela da Coréia é outra", o secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, "assumiu publicamente que, para o governo, o morador de classe média da Zona Sul recebe tratamento diferente e tem direitos de cidadania que o trabalhador que mora na favela não tem, quando é obrigado a ficar no fogo cruzado dos policiais com os traficantes, tem sua casa invadida por uns e por outros e não tem onde se abrigar".

 

Para Margarida, realmente fica difícil imaginar uma operação policial, nos moldes mostrados pela TV, num condomínio de classe média ou alta. "Será que a polícia atiraria em quem corresse? Será que as pessoas que hoje criticam a defesa dos direitos humanos - para qualquer cidadão - apoiariam essas operações de guerra?", questionou.

 

"O que a OAB defende é igualdade na aplicação dos direitos de cidadania, para pobres ou ricos, de qualquer parte do Rio. O que a OAB repudia é a política de confronto que mata inocentes", argumentou. "Mais ainda sabendo dos resultados registrados pelo próprio governo: menos prisões (- 23,6%), menos armas apreendidas (-14,3%) e mais mortos (33,5%) na comparação dos primeiros seis meses de 2007 e de 2006", completou.