Os jornalistas e professores Chico Otávio e Eduardo Serra foram os convidados da segunda edição do ciclo de palestras "Imprensa, democracia e história", que tratou dos desafios do jornalismo frente às novas mídias. O encontro, que está na íntegra no Canal da OAB/RJ no YouTube,  foi organizado pela Comissão de Direitos Sociais e Interlocução Sociopopular da Seccional, com o apoio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), e realizado na noite desta segunda-feira, dia 12, na Ordem. 

Com a mediação do presidente da comissão, Marcelo Chalréo, e do diretor de Comunicação da Seccional, Marcus Vinicius Cordeiro, os debatedores falaram de suas experiências profissionais e colocaram suas visões sobre o jornalismo e os impactos que as novas formas de comunicação têm sobre a sociedade, em especial no atual contexto político nacional. "Não imaginamos, ao planejar o evento, que estaríamos diante do quadro atual, com tanta necessidade de desdobrar esse tema", considerou Chalréo. 

Um dos maiores nomes do jornalismo investigativo do país, repórter do Jornal O Globo e seis vezes vencedor do Prêmio Esso, Chico Otávio exaltou o surgimento de novos meios de comunicação e o frescor informativo e democrático trazido por iniciativas como, por exemplo, a Agência Pública e o site The Intercept. Além de reconhecimento, a publicação de matérias muitas vezes contrárias aos interesses de políticos ou de grupos poderosos, rendeu a Chico Otávio uma série de processos judiciais. Segundo ele, com o objetivo primordial de constranger. "As pessoas que moveram ações contra mim dizem mais sobre o meu trabalho do que qualquer outra coisa", disse, observando que o jornalismo investigativo é caro e depende de investimento. "Mecanismos de financiamento e suporte jurídico são os principais desafios para as novas mídias atualmente", concluiu.

Já Eduardo Serra ressaltou a dificuldade de validação das informações no mar de notícias da internet e demonstrou preocupação ao enxergar, no universo virtual, problemas antigos ligados à comunicação. "Essa era começou nos anos 1990, com estados perdendo forças, capitalismo se globalizando, neoliberalismo em alta. A comunicação seguiu o mesmo caminho, com grupos privados passando a dominar as informações, os noticiários e dando um viés privado à mídia. Informação é mercadoria como qualquer outra, e os grupos particulares naturalmente filtram essa realidade de acordo com sua leitura. A internet, surgida e vista como algo democrático, aos poucos passa, também, a ser dominada por grandes grupos", alertou, acrescentando o que chamou de "criação de verdades" como outra grande questão a ser tratada. "Às pessoas não são oferecidas visões distintas. Palavras ganham um novo sentido apoiadas por postagens maciças de robôs e perfis falsos".

Marcus Vinicius Cordeiro, que esteve recentemente na Universidade de Coimbra, em Portugal, para um curso realizado em parceria com a OAB/RJ, ressaltou que "as discussões que estamos tendo aqui também movimentam a sociedade em outros lugares, são questões globais, que mexem com um sistema mundial".

As próximas edições do ciclo de debates terão como participantes o jornalista Jânio de Freitas, que fará uma palestra intitulada "A liberdade de imprensa está em risco?", no próximo dia 28; e as jornalistas Flávia Oliveira e Carol Oms, que tratarão do tema "Novas vozes na imprensa - ação e reação", no dia 14 de setembro. Mais informações no painel de eventos do Portal da OAB/RJ.