Nomeado para exercer cargo comissionado na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) de fevereiro de 2011 a setembro de 2015, o pedreiro Baltazar Menezes dos Santos garante que não bateu ponto um único dia na Casa, a não ser para entregar documentos. O que difere Baltazar de tantos outros funcionários fantasmas é que o pedreiro, neste período, não deixou de trabalhar. Para fazer jus a uma remuneração mensal de R$ 3.600, ele disse que realizava obras e serviços de manutenção na residência, nos dois sítios e nos quatro centros sociais da deputada estadual Lúcia Helena Pinto de Barros, a Lucinha (PSDB), com quem trava uma batalha na Justiça. Pedido de carteira assinada Baltazar ingressou com uma ação na 56^ Vara do Trabalho do Rio de Janeiro para ter os direitos reconhecidos. Ele exige que a deputada assine sua carteira e deposite o FGTS correspondente, além de benefícios, com data retroativa a março de 1998, quando afirma ter começado a trabalhar para Lucinha. Ao constatar a particularidade do caso, que supostamente envolve o uso de dinheiro público para proveito pessoal, a titular da vara, a juíza Rosane Ribeiro Catrib, decidiu remeter cópias do processo para a Procuradoria Geral do Estado, para o Ministério Público Estadual e para a própria Assembleia Legislativa. Em depoimento no ano passado, durante audiência que terminou sem acordo entre as partes, Baltazar alegou que trabalhava diariamente, das 8h às 19h, com meia hora de intervalo, fazendo reformas, pequenas obras e até varrição na casa de Lucinha em Campo Grande e em dois sítios da deputada localizados em Rio da Prata. Ele também afirmou que fazia esses serviços nos centros sociais da parlamentar em Inhoaíba, Campo Grande, Anchieta e Santa Cruz. O pedreiro sustentou que, depois de pressionar a patroa por um contrato de trabalho, foi admitido como auxiliar legislativo no gabinete de Lucinha, em 11 de fevereiro de 2011, tendo permanecido na função até o dia 31 de setembro de 2015, data de sua exoneração. Lucinha, em sua defesa, afirmou que nunca existiu entre as partes qualquer relação empregatícia. O advogado da deputada, Paulo Victorino, garantiu que Baltazar nunca trabalhou regularmente para sua cliente. No processo, ele argumenta que "o autor não se conformou por ter sido exonerado e tenta o enriquecimento sem causa, pois o mesmo sempre recebeu em dia e registre que não recebia mal, pelo contrário, e tenta agora enriquecer as custas da ré" O advogado disse ainda que não havia exclusividade na prestação de serviços e que o reclamante realizava trabalhos por conta própria. Baltazar levou uma instrutora de manicure, que também trabalhou nos centros sociais de Lucinha, para testemunhar a seu favor. Ele disse que os únicos contatos com a atividade parlamentar eram encontros eventuais com o chefe de gabinete de Lucinha, identificado como Rogério, nos centros sociais.