Geraldo Nogueira, fundador e presidente de honra da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OABRJ, é mais uma personalidade da advocacia fluminense a apoiar a campanha “Vacina é direito”, uma iniciativa da Seccional, por meio do Observatório da Covid-19, em parceria com a Caarj. A iniciativa busca incentivar a classe a se vacinar assim que o Plano Nacional de Imunizações permitir. 

Nogueira tomou recentemente a primeira dose da vacina Oxford/AstraZeneca num ponto de drive-thru do Rio e se diz esperançoso em relação aos efeitos da vacinação a médio prazo. 

“Penso que no início do ano que vem, teremos vencido a terceira onda da pandemia e conseguiremos retomar certa normalidade. Mas o mundo será outro. Aprendemos a usar as tecnologias e isso não será interrompido quando a fase aguda da crise for vencida. Novos caminhos se abriram para a advocacia neste sentido.”

O advogado conta ter se recuperado rapidamente do choque inicial e logo sentiu-se adaptado às restrições deste "novo normal". 

“No trabalho, passei a fazer reuniões online e ligações em vídeo. Já vinha evitando sair do escritório e desempenhando um papel de supervisor das causas conduzidas pelos advogados mais jovens. Sou muito positivo, não me abato com facilidade. O ser humano tem uma imensa capacidade de adaptação.”

Essa máxima é recorrente na trajetória do advogado. Em 1990, época em que atuava como policial federal e cursava o primeiro ano de Direito na extinta Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas (Suesc), Nogueira sofreu um acidente de carro que o deixou paraplégico. As provas finais daquele semestre foram aplicadas enquanto ele estava internado na Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR). 

A luta pela inclusão das pessoas com deficiência acabou pautando grande parte dos mais de 25 anos de atuação na advocacia. A comissão que fundou na Seccional e que hoje supervisiona ganhou caráter permanente nos quadros da OABRJ em 2017 por decisão unânime do Conselho Pleno. Nogueira é membro da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão do TJRJ e foi subsecretário da Pessoa com Deficiência do município. Hoje, lidera o grupo de Empreendedorismo Jurídico da OAB/Barra.  

Abalado pela perda de vários amigos para a Covid, entre eles ativistas da causa da inclusão, Nogueira lamenta os problemas enfrentados pelos colegas com deficiência visual frente à virtualização dos atos judiciais. 

“O sistema PJe usado pelos tribunais não é acessível para um cego. Logo ao acessar o site, a verificação captcha já impõe uma barreira, já que o software para leitura de texto em voz não consegue identificar. O PJe trabalha com muita imagem e pdfs, que também não são lidos pelo ajudante virtual. Colegas precisam pedir ajuda a terceiros e estão perdendo clientes por causa disso. O Conselho Nacoinal de Justiça está ciente desta falha, mas não se debruçou sobre o problema”.