A OABRJ, por meio da Comissão Especial de Apoio à Advocacia Empreendedora, promoveu, nesta terça-feira, dia 3, o seminário 'Superando os desafios das mulheres advogadas no mercado jurídico', na sede da Seccional. Realizado cinco dias antes do Dia Internacional da Mulher, o evento buscou refletir sobre as barreiras impostas pelo gênero na sociedade e na advocacia.

A vice-presidente da OABRJ, Ana Tereza Basílio, compôs a mesa e falou da importância de promover discussões que tratem sobre a disparidade de direitos e acessos entre os gêneros.

“Eu acho muito importante este tipo de evento, de debate e de reflexão, para nós pensarmos como nós podemos contribuir para alterar essa realidade”.

Basílio também defendeu a importância da união feminina para reverter o cenário de baixa representatividade em espaços como o Poder Legislativo e a própria Ordem.

“Eu sou perfeitamente favorável a criar cotas de gênero, uma maneira de minimizar as discrepâncias que tiram um retrato da sociedade de dentro da representação. Mas eu pergunto a vocês: se nós temos 50% dos votos, por que nós não pensamos em prestigiar uma mulher? Se nós não prestigiarmos, nós vamos alimentar o mal do qual somos vítimas”, ressaltou a vice-presidente.

O evento foi aberto pela presidente da comissão, Ana Frazão, que falou sobre a importância do respeito à mulher e à jovem advocacia. "Nosso valor não pode ser mensurado pela idade, mas pelo respeito e pela honra no trato aos iguais. Pela legitimidade, moralidade, senso de justiça e força do nosso trabalho. Os tolos supõem que somos inferiories por sermos jovens ou por sermos mulheres. É por isso que em 8 de março comemoraremos mais uma vez o Dia Internacional da Mulher. Somos valorosas e corajosas", enfatizou, destacando que a OAB é de toda a advocacia.

Dentre as discussões propostas pela mesa, destaca-se a que tratou sobre a presença de mulheres negras no mercado jurídico, tendo em vista que as dificuldades e preconceitos encontrados por elas são ainda maiores. Quem tratou sobre a questão foi a primeira desembargadora negra do estado e segunda do país, Ivone Caetano.

“ A mulher (branca) é vista como mulher, mas a negra não. As mulheres negras, além de sofrer todo o machismo que vigora nesse país, ela ainda enfrente o racismo. Recaindo-lhe vários marcadores”, disse a jurista.

Segundo Ivone, o judiciário e o Ministério Público são instituições onde o racismo ocorre de forma velada.

“É impressionante. Não é uma coisa às claras, ao contrário, é tudo invisibilizado. Tudo com muita classe, mas cruel. Sem sombra de dúvidas o Judiciário é uma das instituições mais racistas. E também o Ministério Público. Por isso se contextualiza quando vemos a situação da mulher negra dentro do Judiciário, enfrentando o racismo estrutural, institucional e social perpetuado. ”, ressaltou.

Também ministraram o encontro a advogada e coordenadora da Jovem Advocacia da Diretoria de Valorização da Advocacia, Joyce Breves, a presidente da OAB Jovem da Subseção de Madureira/Jacarepaguá, Viviane França, e a vice-presidente da Comissão OAB Mulher da Seccional, Flávia Ribeiro.

É possível assistir à íntegra do evento pelo Canal da OABRJ no YouTube.