Rio: áreas com radar em zona de risco têm 25% dos roubos

 

 

Do Portal Terra

 

13/01/2008 - Pelo menos 30 dos 118 pontos com radares de fiscalização de velocidade e avanço de sinal de trânsito no Rio de Janeiro estão localizados em áreas de risco, próximo a favelas. Nessas regiões, as ocorrências de roubo e furto de veículos representaram, em dezembro, 25,6% do total de registros da capital fluminense, segundo o Instituto de Segurança Pública do Estado.

 

Um destes pontos fica no bairro de Bonsucesso, cortado pelas linhas Amarela e Vermelha, e registrou, em dezembro de 2007, o segundo maior índice de roubos e furtos de veículos da capital, com 131 ocorrências, perdendo apenas para a área de Vicente de Carvalho. Em toda a cidade, o número de ocorrências em dezembro foi de 1.641. Durante o ano, o índice chegou a 51.293 roubos e furtos de veículos.

 

Há radares também na auto-estrada Grajaú-Jacarepaguá e na avenida Edson Passos, no Alto da Boa Vista, na zona norte, onde o ortopedista Lídio Toledo Filho foi baleado na véspera do ano-novo. Nas delegacias responsáveis por estas áreas, o número de roubos e furtos de veículos, em dezembro, chegou a 143 (74 registrados na Delegacia de Vila Isabel e 69 na da Tijuca).

 

A região da estrada do Dendê, na Ilha do Governador, local onde os radares também ficam perto de favelas, registrou 32 roubos e furtos de automóveis no mês passado. As delegacias de Irajá e Taquara, responsáveis pela região da avenida Monsenhor Félix e estrada do Mato Alto, em Jacarepaguá, onde também há pardais, tiveram 82 e 33 ocorrências do tipo, respectivamente.

 

Representantes da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio de Janeiro querem o desligamento, após as 22h, de equipamentos que exigem velocidade máxima de 40 km/h. A justificativa é que o radar obriga motoristas a andar mais devagar e facilita a abordagem dos bandidos. O secretário municipal de Transportes, Arolde de Oliveira, já adiantou que apenas duas possibilidades podem levar à suspensão de multas depois das 22h: um pedido da Polícia Militar ou decisão judicial.

 

"Não posso cometer um crime de responsabilidade, deixando de fiscalizar o trânsito que é minha atribuição", destacou. Para o prefeito César Maia, os dispositivos são importantes para a redução de acidentes. De acordo com ele, em 2007 o número caiu 9% em locais onde foram colocados radares. O município arrecadou R$ 50,25 milhões com infrações de trânsito no ano passado.

 

Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, três tipos de aparelhos são empregados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio): radar estático, radar fixo e lombada eletrônica. Alguns foram instalados em novembro e dezembro do ano passado.