TJ-RJ vai investigar cartório

 

 

Do jornal O Dia

 

03/03/2008 - O Tribunal de Justiça (TJ) vai investigar o falso registro de uma criança que nunca existiu - feito por golpistas que participam de um esquema de contratação de mulheres pobres como funcionárias fantasmas para gabinetes de políticos da Assembléia Legislativa do Estado do Rio (Alerj). O corregedor-geral do TJ, desembargador Luiz Zveiter, disse que hoje mesmo fará uma inspeção rigorosa no Cartório de Registro Civil do19° Distrito de Cachoeiras de Macacu, onde Gilson Martins da Conceição, supostamente nascido em 18 de junho de 2007, foi registrado.

 

"Quero saber como o cartório registrou uma criança que não existe. Isso é gravíssimo. Não estou dizendo que há conivência do cartório, porque pode até ser que a certidão de nascimento seja falsa. Mas isso vai virar objeto de investigação", afirmou o corregedor, acrescentando que também vai pedir ajuda à Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) para investigar o caso. A grande preocupação do desembargador Luiz Zveiter é que, do mesmo modo que se registra uma pessoa fictícia, crie-se um atestado de óbito de um traficante, por exemplo, para ele continuar vivo e livre da Justiça.

 

A dona-de-casa Ruth Martins Conceição, 39 anos, suposta mãe de Gilson, negou ter uma criança com esse nome, já que ela, após o nascimento de seu filho mais novo, fez laqueadura.

 

Mas o esquema de contratações frandulentas não deixou rastros apenas na Alerj. Três beneficiárias do programa Bolsa Família, moradoras do distrito de Mauá, em Magé, confirmaram que foram abordadas por aliciadores ligados ao vereador de Magé Valdeck Ferreira Mattos da Silva, do Partido da República (PR).

 

Segundo elas, o vereador seria o responsável por um programa social no município. Merylene dos Santos, 35 anos, Patricia Neves, 29, e Adelma Farias da Silva foram lotadas em cargos comissionados no gabinete da deputada Jane Cozzolino (PTC), mas no último dia 11 foram exoneradas. Valdeck é aliado político do clã da família Cozzolino, cuja base eleitoral é o município de Magé.

 

As vítimas, mães de quatro ou mais filhos, 'ocupavam' cargos com salários de R$ 578 e R$ 1.150. Mas o grande lucro da fraude viria dos desvios dos auxílios-educação. Cada criança representava, por mês, R$350.