Bolsonaro é um exibicionista com quem não se deve nem perder muito tempo. Meu amigo Felipe Santa Cruz, presidente da Caarj, tem minha integral solidariedade. Estamos diante de algo dito por um cidadão que se escuda na imunidade parlamentar para fazer provocações sem ser chamado a prestar contas. O que Bolsonaro afirmou, além de desrespeitoso com um mártir da luta pela democracia, configura-se como covardia, pois ele atacou uma pessoa morta, que não pode mais se defender”, disse o presidente da OAB/RJ, Wadih Damous.

A revolta de Wadih foi a propósito da afirmação do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) sobre Fernando Santa Cruz, pai de Felipe, num debate na UFF: “Ele deve ter morrido bêbado em algum acidente no carnaval”.

O comportamento de Bolsonaro provocou a revolta dos estudantes presentes. Para ter sua integridade física preservada, o deputado foi obrigado a deixar o local às pressas num camburão da PM, sob os gritos de “assassino”.

Felipe Santa Cruz vai recorrer à Justiça contra Bolsonaro: “Tudo tem limites. Vou processá-lo em nome da minha avó”, disse.
Preso em 23 de fevereiro de 1974 e levado para o DOI-Codi, Fernando Santa Cruz é um dos desaparecidos políticos reconhecidos pelo Estado brasileiro e foi interpretado por Mauro Mendonça na série de filmetes elaborada na campanha Pela Memória e pela Verdade, da Seccional. Até hoje a família continua sem notícias de seu paradeiro. O Diretório Central dos Estudantes da UFF, universidade de que foi aluno, leva seu nome.