Formulário de busca

06/02/2018 - 16:31

CCBB recebe mostra sobre arte contemporânea da África

Ex Africa desembarca no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) como a maior exposição de arte contemporânea africana já realizada no país. A mostra traz um grande e essencial panorama da identidade da África moderna, marcada pela diversidade de encontros culturais e interações, e por processos de intercâmbio e aculturação. 

A exposição chega em um momento em que a herança africana volta a estar em evidência, principalmente no Rio de Janeiro, que teve reconhecido como patrimônio da humanidade, em julho passado, o Cais do Valongo, principal porto de entrada de escravos africanos no Brasil.

A produção reúne 80 obras de 18 jovens artistas reconhecidos internacionalmente, de oito países africanos, e de dois artistas afro-brasileiros, Arjan Martins e Dalton Paula, que promovem reflexões sobre essa herança tão fundamental na formação de nossa identidade. 

Entre as obras, estão pinturas, fotografias, esculturas, performances e vídeos que se relacionam na exposição por meio de quatro eixos distintos: Ecos da História, Corpos e retratos, O drama urbano e Explosões musicais. 

O destaque fica por conta do trabalho assinado pelo ganês Ibrahim Mahama, de 30 anos, que construiu uma instalação particular, com materiais usados e doados por trabalhadores locais. A exposição já passou por Belo Horizonte, onde Mahama ocupou o pátio central do CCBB da cidade com aproximadamente dois mil caixotes de madeira formando uma espécie de cubo gigante. Fixados ao caixote estavam itens de uso cotidiano, como bonecas, jornais e sapatos.

“A arte contemporânea africana deu as costas a dois preconceitos longamente estabelecidos: de um lado, o estigma do artesanato e da ‘arte de aeroporto’ e, de outro, as referências etnológicas. Ainda que não possam ser ignorados os efeitos do colonialismo, não deve ser subestimada a importância do intercâmbio artístico verificado na passagem do período colonial ao pós-colonial e, nesse contexto, a reação dos artistas em relação ao período que antecedeu a independência”, destaca o curador, Alfons Hug.

Feições hipnotizantes estampam autorretratos que ironizam vultos de um passado barroco. Metrópoles desoladoras são observadas através de janelas virtuais. Painéis e instalações de dimensões colossais, vídeo-arte e performances sonoras chamam atenção para conexões culturais profundas e permanentes de um continente com o resto do mundo. Essa é a África de hoje.
 
Serviço
 
  • Centro Cultural Banco do Brasil – Rio de Janeiro
    Rua Primeiro de Março, 66 – Centro
    Até 26 de março 
    De quarta a segunda-feira, das 9h às 21h
    Entrada gratuita