Formulário de busca

06/02/2018 - 16:29

Derrotados no julgamento, vitoriosos na memória

MARCELO MOUTINHO

O que têm em comum os enredos Domingo, da União da Ilha (1977); Mãe baiana mãe, do Império Serrano (1983); e Ratos e urubus... larguem minha fantasia, da Beija-Flor (1989) Do ponto de visto temático, nada. Os três desfiles se aproximam, no entanto, porque todos eles foram apontados à sua época como francos favoritos ao título do carnaval. E não levaram.

No livro Por que perdeu?- dez desfiles derrotados que fizeram história, recém-lançado pela Record, o jornalista Marcello de Mello se propõe justamente a relembrar apresentações como essas, que arrebataram o público e a crítica especializada, mas não convenceram os jurados.  

São, como diz o título, dez desfiles. Estão lá também a Portela de 1979, com Incrível, fantástico, extraordinário; a Mocidade Independente de Padre Miguel de 1999, com Villa-Lobos e a apoteose brasileira; a Unidos da Tijuca de 2004, com O sonho da criação e a criação do sonho. Entre outras. 

A partir de rigorosa pesquisa e recordações pessoais, o autor comenta a discrepância entre desempenho e notas, a repercussão na imprensa, as intrigas de bastidor, além de iluminar a conjuntura social de cada episódio. Ao fim das 210 páginas, fica a impressão de que, embora os títulos de campeão somem estrelas e prestígio à bandeira da escola, na gaveta da memória vale mais o encantamento.