Formulário de busca

19/07/2018 - 18:46

Projeto Amar na OAB Méier já acolheu 15 advogadas

Acolher a mulher advogada para o resgate de sua autoestima. Uma sigla e também o objetivo do projeto Amar, lançado em 23 de maio, na Subseção do Méier em conjunto com a Caarj. O projeto, que visa ao acolhimento dessas vítimas de violência, já impactou positivamente a vida de 15 advogadas em seus três primeiros encontros. E a ideia é expandir para todo o estado.

A advogada X, que pediu para seu nome não ser citado, contou que nos encontros tem podido finalmente colocar em palavras todo o sofrimento pelo qual passou. “Estou conseguindo botar para fora e está me fazendo um bem enorme. Creio que este projeto não ficará somente aqui e que mais mulheres conseguirão se sentir mais fortes ao encarar o espelho, como está acontecendo comigo”, disse, emocionada.

Criar um projeto para mulheres advogadas vítimas de agressão é um processo delicado devido ao peso que a profissão impõe, destaca Gracia Barradas, idealizadora do trabalho. “Precisávamos centralizar isso nas nossas colegas. Todos acham que sabemos e resolvemos tudo. Mas, antes de ser mulher advogada, sou uma mulher”, pontuou.

Marcello Oliveira, presidente da Caarj, disse acreditar na importância do projeto e em sua função libertadora para as mulheres advogadas. “É transformador em grande medida e pode ser reproduzido com muita facilidade em outras subseções”, frisou, recordando uma pesquisa que identificou obstáculos enfrentados pelas advogadas em suas carreiras. “Há de fato um desestímulo que acontece dentro de casa e impede que a mulher profissional exerça com plenitude seu direito a uma carreira de sucesso. Essa é uma violência oculta e precisamos falar disso”, apontou.

Naide Marinho, secretária-geral da Caarj, ressaltou que a Caixa não poderia deixar de apoiar a causa. “Fico grata por termos sido eleitos como instituição apoiadora. A violência é um triste silêncio e este silêncio que encobre a violência deve ser enfrentado por toda a sociedade”, afirmou.