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12/06/2018 - 16:34

Dica do mês: Clube da Esquina, a história de um disco

MARCELO MOUTINHO
Em Clube da Esquina, o jornalista Paulo Thiago de Mello parte do encontro de Milton Nascimento com os irmãos Márcio e Lô Borges para contar uma história de amizade e potência criativa que viria a transformar a música brasileira. O álbum duplo, lançado em 1972, começa a nascer poucos anos antes, quando Milton e Marcio inauguram sua incrível parceria, impactados pelo filme Jules e Jim, do francês François Truffaut. 

Esses movimentos iniciais são descritos sob a perspectiva da conjuntura do período: ditadura militar, censura, asfixia. Nos capítulos seguintes, a análise ganha amplitude. Além de tecer relações entre o disco e o momento do país, Paulo Thiago o situa diante de outras manifestações culturais, como o tropicalismo e o cinema marginal. Nas breves 128 páginas, cabe ainda uma análise estética daquela música originalíssima que ali se revelava, juntando ruralidade e rock urbano, Beatles e barroco mineiro. 
 
A passagem sobre a gênese do tal clube – que é mais uma ideia, território simbólico, do que um ponto geográfico – impressiona particularmente. “Assim é a Esquina do Clube: um lugar que só existe no coração de seus membros; ela é a terceira margem do rio, o limbo, o twilight zone, o espaço subjetivo que contém o tempo, no caso, uma época vivida na forma de saudade, como objeto perdido em relação ao qual se está sempre aquém”, observa o autor.

Parte da coleção O livro do disco (editora Cobogó), Clube da Esquina chega em conjunto com outro novo título da série: Tropicália ou Panis et circencis, de Pedro Duarte.