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16/05/2018 - 15:21

Réquiem para o herói do abolicionismo

Foi só após 133 anos de sua morte que Luiz Gama recebeu o título de advogado pelo Conselho Federal da OAB, em 2015. Ele mesmo um ex-escravo, Gama atuou junto à Justiça para libertar mais de 500 homens do cativeiro ilegal. Agora, uma peça biográfica que entra em cartaz dia 11, no Centro Cultural Justiça Federal, é mais um ato de reparação histórica em prol deste patrono do abolicionismo brasileiro. Com apoio cultural da Caarj e da OAB/RJ, Luiz Gama: uma voz pela liberdade traz no elenco Deo Garcez (também responsável pelo roteiro) e Nivia Helen. Ricardo Torres assina a direção. Os colegas que apresentarem a carteira de identificação da Ordem terão desconto no ingresso. Além disso, a Caixa realizará caravanas nos dias 11 e 25/04 com sorteio via Facebook de pelo menos 10 convites duplos para a advocacia em cada uma das datas.
Gama viveu entre 1830 e 1882 e sofreu todas as mazelas da época em que a pele negra era sinônimo de servidão. Mesmo nascido livre, já que seu pai era branco e sua mãe uma escrava alforriada, foi vendido como escravo, aos 10 anos, pelo pai. Mas mudou seu próprio destino. Alfabetizou-se e frequentou, como ouvinte, aulas da faculdade de Direito. 

Parecidos fisicamente, Garcez (foto) e Gama “se encontraram” por intermédio do presidente da Comissão Estadual da Verdade da Escravidão Negra no Brasil da OAB/RJ, Humberto Adami. Foi de Adami a sugestão para que o ator jogasse luz na vida do personagem.

“Sempre fui um inconformado com a escravidão e construí minha carreira com personagens voltados para este tema em novelas e no teatro”, diz Garcez, que usou como referência o livro Com a palavra, Luiz Gama, de Lígia Fonseca Ferreira.

O espetáculo tem a missão de fazer valer a Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental ao ensino médio. “Essa lei não é sempre cumprida. Muitos advogados não conhecem Luiz Gama. Nossa história sempre foi contada sob o ponto de vista do colonizador. Carecemos de verdadeiros heróis no Brasil”, diz o ator.  
 
Serviço  
  • Centro Cultural Justiça Federal (CCJF)
    Avenida Rio Branco, 241 – Centro 
    Telefone: (21) 3261-2565  
    Exibições: Sexta a domingo, às 19h.  
    De 11 de maio a 3 de junho  
    Ingressos: R$ 30, R$ 20 para advogados, mediante apresentação da carteira. R$ 15 (meia-entrada)  
    Classificação: Livre