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12/03/2018 - 13:11

Comissão discute formas de enfrentamento da intolerância contra religiões de matriz africana

“Esse ódio tão visível ultimamente, porque presente sempre esteve, não é nada mais nada menos que uma decorrência do preconceito racial”. A afirmação da diretora de Igualdade Racial da OAB/RJ, Ivone Caetano, destacando a visibilidade cada vez maior do racismo na sociedade brasileira foi o principal ponto do evento realizado pela Comissão da Verdade da Reparação Negra no Brasil (Cevenb) da entidade, no dia 26 de fevereiro. Com o tema Intolerância religiosa? Racismo? Terrorismo? – Rompendo a invisibilidade do contexto de violência e desrespeitos aos povos de matriz africana, o encontro, que reuniu religiosos, representantes do poder público e advogados para debater a perseguição e violência sofridas por estes grupos, aconteceu no Plenário Evandro Lins e Silva.

O presidente da Cevenb, Humberto Adami, fez uma abertura breve e passou a palavra para Caetano, até hoje a única desembargadora negra a ocupar o cargo no Tribunal de Justiça. “Este evento trata exclusivamente e com muita visibilidade de um tema que me é muito caro. Poucas vezes falei que professo religião de matriz africana. Mas todas as vezes que o faço, é com muito respeito e muita honra. Não aceito desrespeito, palavras desqualificantes ou brincadeiras em relação à minha religião”, afirmou ela na ocasião.

A diretora de Igualdade Racial também ressaltou o fato de o assunto estar sendo debatido na OAB/RJ em momento tão importante. “Poucas vezes nos dão espaços desta qualidade para falarmos sobre nossa religião e sobre todos os ataques que ocorrem. Muitas religiões são professadas no Brasil, mas nenhuma é tão perseguida quanto as de matriz africana”, apontou. Além de Caetano e Adami, participaram da mesa de abertura a presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Guiomar Mairovitch; o vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, André Barros; e o presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa do Instituto dos Advogados Brasileiros, Gilberto Garcia.

No início do evento foi realizada uma homenagem ao jornalista, advogado, militante do movimento negro e ex-deputado federal Carlos Alberto Caó de Oliveira, falecido recentemente. Ele foi o autor da Lei 7.437/1985 (conhecida como Lei Caó), que tornou crime o preconceito de raça, cor, sexo e estado civil. Caó foi editor de economia do Jornal do Brasil e presidiu o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro entre 1981 e 1984. Foi exibido um vídeo com um trecho de uma entrevista de Caó dada ao ator e apresentador Lázaro Ramos.

O encontro teve ainda duas mesas temáticas. Na primeira, o debate foi entre autoridades públicas e lideranças dos troncos de matrizes africanas Bantu, Jeje e Iorubá. O segundo painel tratou da reparação por ações nacionais e internacionais em face da violência praticada contra religiões de matriz africana. Ao fim do evento, foi encaminhado à comissão um relatório com as conclusões do debate.