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12/03/2018 - 13:23

#RioUtópico: no IMS, Rio de Janeiro que não está nos cartões postais

Parque Esperança. Parque Alegria. Rua Conquista. Rua da Paz. Até 15 de abril, o Instituto Moreira Salles (IMS-Rio) fará o mapeamento fotográfico de mais de 50 pontos do Rio de Janeiro com nomes que sugerem uma situação utópica ou ideal. A exposição traz um grande mapa da cidade ampliado no chão da sala, com grupos de fotografias de cada localidade reunidos nas paredes, além de dados sobre os locais.

A artista Rosângela Rennó trabalhou com jovens moradores de comunidades, orientados a fotografar cenas que distinguissem seus bairros e a pesquisar a história da formação do local onde vivem. Além de contar com a participação dos jovens, a mostra é interativa. Desde o início foi possível enviar imagens para a exposição. As fotografias foram selecionadas pela artista, impressas e acrescentadas às paredes expositivas de tempos em tempos.

A ideia é mostrar como as pessoas representam seus próprios lugares, como se mobilizam em torno da produção de imagens e como a paisagem do Rio de Janeiro é muito mais diversa do que estamos acostumados a ver.

O curador da exposição, Thyago Nogueira, que também coordena a área de Fotografia Contemporânea do IMS, lembra que boa parte das fotografias do Rio ilustra apenas o eixo centro/zona sul, área que corresponde apenas a cerca de 10% da cidade.

“Uma imagem sedutora do Rio pode unir moradores de várias regiões em torno da mesma utopia, mas a repetição desses pontos de vista também pode fazê-los subestimar o interesse pela própria realidade. Como olhar então para esta outra extensa parte?”, questiona.

Em vez de um autor único, múltiplas vozes; no lugar dos ícones de sempre, a paisagem caleidoscópica; para além do território batido, a geografia ampliada. Aos poucos, um outro Rio surge descortinado, nas palafitas da Vila União, nas diagonais da Linha Amarela, nos retratos dos líderes comunitários ou na iluminação prometida pela estátua da Liberdade.

Para o curador, enxergar a melancolia rural de Santa Cruz, a distopia ereta de Ilha Pura, o monótono padrão do Minha Casa Minha Vida ou o oceano de lajes indomáveis é um contraponto necessário a uma cidade que corre o risco de flertar com o próprio narcisismo. “Estas vistas, personagens e fotos de família oferecem um mapa sentimental da cidade, que valoriza a perspectiva do indivíduo e mostra como a representação da convivência urbana também é uma forma de se aproximar da utopia”, diz Nogueira.