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12/04/2018 - 16:09

Conferência debate estratégias de combate ao roubo de cargas

O número de roubos de cargas no Rio de Janeiro triplicou de 2011 a 2017, um crescimento de mais de 200%. Isso equivale a um crime deste tipo a cada 50 minutos. O prejuízo para a economia do estado é astronômico: a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) calcula perdas de R$ 607 milhões. As principais consequências dessa sangria são o aumento do custo das mercadorias, o risco de desabastecimento e a perda de empregos. 

Para refletir sobre esse panorama, a Comissão de Segurança Pública da OAB/RJ e o Instituto Brasileiro de Direito e Criminologia (IBDC), com apoio do Sindilojas e da Associação Comercial do Rio de Janeiro, promoveram a Conferência Nacional na Prevenção e Combate ao Furto e Roubo de Cargas, no dia 27 de março.

“Do ano passado para cá, com o agravamento da crise na segurança pública, a OAB/RJ tem tido mais preocupação de trazer para dentro da casa essa pauta, que aflige a sociedade civil”, sublinha Renato Teixeira, vice-presidente da comissão. “O roubo de carga impacta negativamente o lucro das empresas e, consequentemente, a geração de empregos”.

A revenda de produtos oriundos do saque a caminhões tornou-se uma das principais fontes de renda de quadrilhas de traficantes de drogas e motivo de terror de empresários, seguradoras e caminhoneiros que passam perto das áreas conflagradas da Zona Norte do Rio.

A delegada Martha Rocha, deputada estadual pelo PDT, é presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa e uma das vozes mais ativas sobre o assunto. “O resultado financeiro dos saques é investido na compra de armas pelo tráfico. Os integrantes das quadrilhas estão mais jovens, têm de 18 a 22 anos. É preciso aplicar sanções mais duras ao receptor das mercadorias, como a perda do CNPJ”, diz Rocha, que entregou, recentemente, um relatório com 14 estratégias ao interventor federal, general Walther Braga Netto.

O presidente da Federação de Transportes de Cargas do Estado do Rio de Janeiro, Eduardo Rebuzzi, falou sobre as medidas tecnológicas que o setor vem adotando, como uma tela na carroceria dos caminhões que libera uma descarga elétrica não letal; aumento da blindagem e a presença de um motorista anjo, que trafegaria atrás do caminhão pronto para apertar um botão do pânico que o paralisaria em caso de interceptação. “Não é mais armamento que resolverá, mas estratégia”.

E o que o consumidor pode fazer? Denunciar o comerciante ilegal ao Disque Denúncia e não comprar a mercadoria, ensinaram os palestrantes.