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17/11/2017 - 17:08

Ação cultural reúne obras de jovens do Jacarezinho

Em meio à violência que assola diariamente o Rio de Janeiro, duas instalações revelam como a arte pode ser um caminho eficaz para transformar padrões. Enquanto uma expõe o olhar das crianças e adolescentes que vivem na comunidade do Jacarezinho, a outra apresenta a solução das conversas entre dois grupos divididos socialmente na mesma cidade. Até 26 de novembro, a Cidade das Artes será palco da ação cultural intitulada Identidade e diferença, que reúne as mostras interativas No espaço entre nós e O muro, cujos coautores são os próprios jovens em parceria com o escultor e arte-educador Helio Rodrigues, que desde 2006 desenvolve um trabalho de artes visuais com as crianças e adolescentes da comunidade, considerada uma das que mais sofrem com a violência do Rio.

A proposta de No espaço entre nós é unir obras de adolescentes da favela e do asfalto. A mostra é resultado dessa “improvável união” entre alunos do Centro Educacional Anisio Teixeira (Ceat), em Santa Teresa, e os adolescentes do Jacarezinho. Jovens com idade entre 12 e 15 anos foram misturados para compor as 36 mandalas expostas em movimento por meio de animação.

Os dois grupos não se conheciam e só se encontraram às vésperas da montagem da primeira exibição, realizada há um ano. Durante as oficinas, foram feitos vários trabalhos de sensibilização a fim de instigar os adolescentes a se representarem e se comunicarem de maneira subjetiva, utilizando diversas técnicas e materiais plásticos.

Já O muro é uma instalação fotográfica interativa que exibe múltiplos registros da comunidade feitos por quem vive nela. O projeto começou antes da pacificação do Jacarezinho em 2011, quando 80 meninos e meninas, de 8 a 17 anos, usaram a criatividade a fim de mostrar um novo olhar de dentro da favela. O resultado da visão dos jovens fotógrafos está na instalação interativa que dá oportunidade a qualquer visitante de enxergar a comunidade através dos olhos de quem vive fora do asfalto.  

Construído em 80 blocos, O muro guarda no interior os olhares das crianças, mas seus olhos estão desenhados do lado de fora, com o objetivo de humanizar ainda mais a mostra e instigar a curiosidade das pessoas de enxergar através de um buraco feito na íris e descobrir o que há do outro lado. A principal finalidade da obra é desconstruir “muros” na sociedade e ampliar opiniões, reduzir preconceitos e aceitar as diversidades. 
 

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